O belo, a moda e a felicidade

Existem no mundo, e mesmo no mundo dos artistas, pessoas que vão ao museu do Louvre, que passam rapidamente, e sem sequer lhes conceder um olhar, diante de uma multidão de quadros muio interessantes, embora de segunda ordem, e se plantam sonhadoras diante de um Ticiano ou de um Rafael, um desses que a gravura mais popularizou; saem depois satisfeitas, dizendo algumas delas de si para si: «Conheço este museu.»
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Felizmente, apresentam-se de tempos a tempos alguns rectificadores de injustiças, alguns críticos, alguns amantes da arte, alguns curiosos, que afirmam que nem tudo está em Rafael, que nem tudo está em Racine, que os poetae minores têm coisas boas, sólidas e deliciosas; e enfim, que não é por tanto amar a beleza geral, expressa pelos poetas e artistas clássicos, que não deixa de ser errado desprezar a beleza particular, a beleza de circunstâncias e o traço distintivo dos costumes.


in O pintor da vida moderna, Charles Baudelaire